Projetos

Vários projetos foram e são realizados no LADE, como os mencionados no Histórico do LADE. Os nossos projetos são de longa duração, permanentes
ou de vigência temporária. Nos últimos anos temos atuado nos seguintes projetos:

Projeto de divulgação científica do LADE

O projeto de divulgação científica desenvolvido no Laboratório de Deformação Experimental tem como objetivo aproximar o conhecimento geológico da sociedade, tornando mais acessíveis conceitos complexos sobre a dinâmica da Terra. A iniciativa utiliza experimentos com materiais análogos, criando recursos visuais para traduzir  processos tectônicos, a fim de produzir conteúdos claros e mais interativos. Por meio de demonstrações didáticas realizadas no LADE para alunos de ensino médio, graduação e pós-graduação, e da produção de materiais e conteúdos para mídias digitais, o projeto promove a popularização da ciência e estimula o interesse de estudantes pelas geociências, com foco na compreensão de fenômenos naturais de maneira prática e envolvente. Além de contribuir para a educação científica, o projeto fortalece a integração entre a universidade e a comunidade, incentivando o pensamento crítico e valorizando a ciência como ferramenta para compreender o planeta e seus desafios.

Evolução da Margem Continental Sudeste Brasileira: tectônica e magmatismo nas áreas onshore e offshore – Projeto do Coordenador: Prof. Julio Almeida

A Margem Continental Sudeste Brasileira (MCSB) evoluiu a partir do Cretáceo, quando o supercontinente Gondwana se fragmentou, originando massas continentais que, desde então, estão em constante afastamento. A MCSB passou por eventos de tectonismo, magmatismo e sedimentação, que deixaram registros tanto no embasamento cristalino quanto nas bacias marginais (Campos e Santos). Estudos globais, regionais e locais sobre o tectonismo, magmatismo e sedimentação têm trazido novos dados e modelos de evolução que precisam ser interpretados e testados regularmente para que novas pesquisas sigam o caminho mais curto para o aprimoramento do conhecimento dessa evolução, levando à elaboração de modelos mais realistas de localização e exploração dos ricos recursos minerais e energéticos da MCSB.

Ler mais

O coordenador do projeto e colaboradores do Grupo de Pesquisa em Geotectônica-Tektos vêm levantando dados e informações tanto na área emersa (onshore), quanto na área submersa (offshore) do embasamento e das bacias de Santos e Campos com o intuito de aprimorar este conhecimento. Utilizando dados estruturais e petrológicos obtidos em campo (onshore) e em dados sísmicos, magnéticos e gravimétricos (onshore e offshore), bem como dados geocronológicos,  o coordenador do projeto soma mais de 20 anos de colaboração para o aprimoramento do conhecimento nesta área. Neste contexto, o projeto visa à coleta de mais informações em áreas-chave e à aplicação de novos métodos para a compreensão de questões em aberto, além da integração dos dados obtidos pela equipe do Grupo Tektos e disponíveis na literatura atualizada, culminando em um modelo evolutivo mais abrangente e robusto sobre a tectônica e o magmatismo ocorridos na MCSB. Trabalhos publicados recentemente mostram que a tectônica evoluiu de extensão pura para uma extensão oblíqua, ainda no Cretáceo, e que passou a uma extensão E-W durante o Cenozoico, e posteriormente, para a compressão E-W no tempo atual. Estes eventos superpostos deixaram registros nas rochas sedimentares das bacias, controlando, assim, a migração e o trapeamento de hidrocarbonetos. No magmatismo, os estudos  mais recentes têm demonstrado que as fontes mantélicas dos magmas diferem conforme a porção da MCSB em que foram gerados. Estas descobertas abrem novas possibilidades para a evolução tectono-magmática da MCSB, que são abordadas no desenvolvimento da pesquisa realizada durante o projeto. A intenção é chegar a um modelo mais realístico de evolução tectono-magmática da MCSB a partir de novos dados coletados para este fim.

O papel das reativações pós-sal na evolução das bacias marginais tipo  Atlântico: percepções da modelagem analógica (2022-2024) – Pós-doutoranda Carla Hemillay

A tectônica salina é característica de muitas margens continentais. Comumente, a deformação associada ao sal nessas províncias salinas é impulsionada por uma combinação de inclinação da margem e sobrecarga deposicional diferencial, resultando em domínios de distensão updip e contração downdip conectados por uma zona de translação intermediária não deformada. Atualmente, é bem estabelecido que o relevo subsal influencia o fluxo de sal, produzindo deformações complexas e multifásicas nas estruturas salinas e na sobrecarga sedimentar. Adicionalmente, reativações episódicas do embasamento podem controlar a tectônica thin-skinned, desencadeando pulsos de deslizamento gravitacional, e consequentemente alterando o estilo e padrões de deformação pós-sal.

Ler mais

Neste sentido, a modelagem analógica contribui para o entendimento da tectônica salina como uma das ferramentas mais poderosas e visuais para entender a evolução estrutural 3D e 4D dessas bacias. Neste contexto, o projeto objetiva a construção de modelos analógicos devidamente dimensionados, combinados com cortes de seções, para a identificação e compreensão de processos estruturais dentro das bacias salinas, bem como das geometrias de estruturas ainda pouco compreendidas em dados sísmicos (e.g., padrões de terminações estratais laterais aos diápiros). Visa-se ainda, expandir o conhecimento para os efeitos da topografia subsal sobre o fluxo de sal e padrões de deformação do suprassal e as contribuições das reativações episódicas do embasamento na evolução da bacia salina. Os modelos analógicos atualmente oferecem padrões variáveis de taxa de sedimentação e configuração estrutural subsal cada vez mais realísticas aos análogos naturais. A pesquisa com modelagem analógica aumenta a riqueza de dados da geociência aplicada à tectônica salina, e propicia a compreensão das observações e características diagnósticas que podem ser utilizadas pelos geocientistas para orientar o trabalho em bacias salinas ao redor do mundo.

Efeito das diferenças reológicas dos arcos magmáticos neoproterozóicos na construção do sistema orogênico Araçuaí-Ribeira: percepções da modelagem analógica (Início em 2025) –
Pós-doutoranda: Dra. Aimée Guida Barroso

O avanço de modelos tectônicos que abarquem as complexidades dos processos de formação de orógenos pré-cambrianos, como o Sistema Orogênico Araçuaí-Ribeira (AROS), beneficia-se do uso de abordagens multidisciplinares para seu refinamento. O Sistema Orogênico AROS é caracterizado por uma tectônica compressiva diácrona que gerou magmatismo complexo e de duração prolongada, dando origem a dois sistemas de arcos magmáticos principais: o IMAS (Inner Magmatic Arc System) e o OMAS (Outer Magmatic Arc System), que se conectam e se estendem ao longo de todo o sistema orogênico.

Ler mais

O IMAS é o sistema interno, desenvolvido na margem ativa de um bloco continental paleoproterozoico, que colidiu com o Cráton de São Francisco. Em contraste, o OMAS é o sistema externo, originado em uma zona de subducção intraoceânica e, portanto, sem a presença de rochas de embasamento. Dadas as significativas diferenças tectônicas, composicionais e, em particular, reológicas entre IMAS e OMAS, este projeto propõe o emprego de modelagem analógica como ferramenta a somar aos avanços que vêm sendo feitos nos estudos do AROS. A modelagem experimental permite analisar os efeitos das disparidades reológicas na deformação, na geometria e na cinemática das estruturas formadas, reproduzindo, em escala, os processos colisionais. A comparação entre os resultados dos modelos experimentais e os dados estruturais e de campo disponíveis tem potencial para contribuir para um melhor entendimento do efeito do controle reológico na formação das estruturas orogênicas que embasam o modelo tectônico integrado do AROS.  

Modelagem analógica da evolução da margem continental sudeste brasileira (Início em 2025) –
Bolsista PIBIC-CNPq: Pedro Vinícius Rodrigues da Costa

O projeto, focado na iniciação científica, visa envolver o graduando bolsista em experimentos com materiais análogos, em escala coerente com a evolução da margem continental sudeste brasileira e sudoeste africana, com vistas ao entendimento da origem e evolução do Oceano Atlântico. O projeto envolve o aluno em diversas atividades do Laboratório de Deformação Experimental (LADE), a fim de desenvolver habilidades introdutórias à pesquisa e ao método científico. As atividades incluem criação de base teórica pelo aluno, através da pesquisa e aprofundamento em material bibliográfico, referente tanto à questão geológica central abordada quanto ao estado da arte na temática da modelagem analógica.

Ler mais

A base teórica dá ao aluno condições de colaborar na criação, montagem, execução e interpretação de experimentos com materiais análogos, testar propriedades físicas de diferentes materiais para uso em experimentos e, junto ao coordenador e aos técnicos do laboratório, participar da organização e manutenção do laboratório, para que os experimentos ocorram de forma segura e eficaz. Para além disso, o bolsista desenvolve habilidades didáticas e de divulgação científica ao colaborar na preparação de demonstrações didáticas para alunos de pós-graduação e graduação em Geociências e para alunos do ensino médio que ocorrem no LADE; apresentar os resultados obtidos com os experimentos em encontros científicos; redigir minutas de artigos científicos e relatórios técnicos; além de administrar e criar conteúdo para as redes sociais e para a divulgação científica do LADE.